Esta é a minha segunda investida no universo blogueiro. Por
uns 2 anos e pouco, tive uma experiência gratificante com o “marcosnocinema”,
um blog sobre crítica de cinema, como o próprio nome indica.
Por motivos vários, ele foi interrompido, e depois houve uma
tentativa frustrada de um blog que nunca chegou a ser publicado (uma das
milhares de idéias que todos nós temos e, como bons Bartlebys que somos, ficam
apenas na intenção).
“The art i live in”
estava em gestação há algum tempo. Posso refazer o seu percurso ao revés, desde
o ano passado, quando embarquei para a Austrália numa viagem sabática. O
isolamento e a solidão acabam sempre por trazer à tona coisas boas também (digo
“também”, porque carregamos todo o resto conosco, e portanto as coisas não tão
boas sempre vêm a reboque). E provavelmente a coisa mais rica que essa viagem
pode ter me proporcionado foi o meu encontro com a fotografia – via uma câmera
de celular de um iphone 4 – e as artes visuais, protagonizadas em Melbourne e
Sydney pela street art, pelos
grafites, lambe-lambes, stickers e
afins. Encontro um pouco heterodoxo esse, e talvez um pouco frágil por conta de
cada uma das partes (afinal, não tinha comigo uma câmera com recursos
tecnológicos satisfatórios, nem tampouco a arte de rua é vista com bons olhos
como bom exemplo de contato maior com as artes visuais).
De qualquer forma, é bom eu me lembrar que essa conexão
sempre existiu – entre mim e as artes visuais. Ou melhor, entre mim e arte em
geral. Porque a gente sempre tem a mania de apagar o que veio antes. E não foi
pouca coisa, no meu caso. Morei na Alemanha por quase 3 anos para terminar um
doutorado; sempre fui um super cinéfilo; não consigo abandonar o objeto “livro”,
adoro TV; a música está sempre presente. E minha carreira profissional, nos
últimos anos, agregou o que restava sobre gêneros artísticos à minha bagagem já
razoavelmente de peso. Talvez as artes plásticas – ou artes visuais – fossem a
lacuna maior, mais recente, a ser preenchida.
Tudo isso junto e misturado, faltava-me a iniciativa de deslanchar
esse projeto, de botar esse blog no ar, pra falar, da minha perspectiva, sobre
arte em geral. Cabe literatura, série de TV, documentário, exposição, design,
musica, filme de arte ou blockbuster,
dança, arte eletrônica, moda, enfim, tudo o que me brilha o olho, mas que
precisa de alguma filtragem para permanecer colado na retina.
Embora pretenda colocar sempre meu ponto de vista, quero
fazê-lo de um modo claro, para que o leitor saiba explicitamente quais são
minhas hipóteses, as bases de cada discurso ou texto. Digo isso porque quero
muito a participação e a colaboração de todos eles, de todos os que irão
despender um pouco do seu tempo para ler os posts
ainda por vir.
Também pretendo amealhar o máximo de colaboradores possíveis
para encorpar esse blog, pra criar um fluxo intenso de informações e opiniões.
Sempre sem perder de vista a concepção inicial de que não há intenção alguma de
busca de verdades ou julgamentos, mas sim de exposição de pensamentos críticos
a serviço da organização e significação de todo esse enorme emaranhado de
informações, imagens, notícias, fatos, eventos, conteúdos e formatos nunca
antes visto na história da humanidade.
Se arte é uma linguagem, um discurso, que busca através de
seus meios materiais dar um pouco de ordenação e sentido ao mundo ao nosso redor,
e, sobretudo, se acreditamos nela, este blog vai ter muito trabalho pela
frente. Bem-vindos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário