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terça-feira, 25 de junho de 2013
japan pop-show...
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domingo, 2 de junho de 2013
a moça com chapéu de sacola plástica...
Hendrik Kerstens, não sem motivos, tem muito orgulho da pintura produzida em seu país, sobretudo no século XVII. Diferentemente do renascimento italiano, a pintura holandesa daquela época interessava-se tanto por retratos do dia-a-dia como por cenas religiosas ou mitológicas. As famílias burguesas emergentes da Holanda queriam se ver retratadas da mesma maneira que, anteriormente, era privilégio apenas da aristocracia.
Por conta do objeto retratado, a pintura renascentista do norte europeu desenvolveu um apuro técnico maior nos detalhes, na representação de perfis e retratos, na instrumentalização da luz. A burguesia e seu quotidiano tornaram-se tão importantes quanto as histórias bíblicas e os ícones da mitologia grega. A moça com brinco de pérola de Vermeer é exemplar como demonstração dessa diferença.
A peculiaridade da pintura holandesa do século XVII chamou a atenção do fotógrafo Hendrik Kerstens quando ele associou a filha Paula, então com 20 anos, a uma daquelas garotas representadas nos quadros renascentistas holandeses. Um dia Paula chegou em casa com um boné na cabeça; outro dia, vermelha, descascando de tanto sol. Foi aí que Kerstens resolveu posicionar a filha como modelo de seus retratos. Atualizando os ornamentos utilizados por Paula, a série de retratos da filha teve, justamente, essa função dialógica com a tradição pictórica holandesa. Sai a moça com brinco de pérola, entra a moça com saco plástico na cabeça...
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quarta-feira, 29 de maio de 2013
olhar de peixe morto...
Olhar de peixe morto. Olhar triste, sem brilho. Olhar parado, fixo. Olhos de cabra morta, lânguidos, sem expressão. Olhos de mormaço, de ressaca, os mesmos de Capitu. Langorosos, de pálpebras semi-cerradas. Olhos de cigana oblíqua e dissimulada. Olhar de gata morta. De Twiggy, Marlene Dietrich. De ícone russo. Olhar de mangá.
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segunda-feira, 13 de maio de 2013
os percalços de uma artista-mulher...
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| "Retrato da Irmã da Artista em Trajes de Freira", de 1551. |
Sofonisba Anguissola nasceu em Cremona em 1532. A mais velha de 7 irmãos, de família abastada, assim que demonstrou vontade e talento para às chamadas "belas artes", foi incentivada por seu pai a seguir uma educaçāo formal em história da arte e pintura. O que, à época, significava abrir uma enorme exceção, a fim de que Sofonista pudesse ser admitida como a primeira mulher-aprendiz junto aos pintores de renome de sua cidade natal.
Em 1554, Sofonisba, então com 22 anos, muda-se para Roma. Lá conhece Michelangelo - sim, o próprio - o qual comenta e critica seu trabalho, ao mesmo tempo que pede a ela que faça o mesmo com seus esboços e desenhos.
Infelizmente era o máximo que a artista podia fazer em tempos em que mulheres não eram admitidas em estudos de nu e, portanto, jamais eram comissionadas para grandes pinturas de caráter histórico, mitológico ou religioso. Mesmo contando com o apoio do pai influente. Mesmo com um talento atestado e já reconhecido.
Assim, Sofonisba especializou-se em retratos e estudos de natureza morta, representações de cenas quotidianas. Foi obrigada a se restringir ao ambiente familiar, da ordem estrita do gênero feminino.
Por volta de 1558, Sofonisba já era uma pintora amplamente reconhecida nas cortes européias. Finalizando um retrato encomendado pelo Duque de Alba, em Milão, foi indicada ao rei de Espanha, Felipe II, encontro que significou um ponto de virada em sua carreira. Contratada como retratista oficial da família real espanhola, a pintora italiana passou 20 anos estabelecida em Madri. Além dos retratos, Sofonisba foi incumbida de dar aulas de pintura à jovem rainha Isabel de Valois (mais uma tarefa da ordem do feminino).
Os anos na Espanha correspondem ao período mais fértil e produtivo da artista, quando ela, de fato, refina seu estilo, marcado pelo detalhismo e apuro na representação de tecidos, jóias, peles, enfim, uma luminosidade própria na combinação de textura e cor que conferem aos seus retratos não apenas uma sofisticação única como também um cuidado com a atmosfera em torno do retratado.
Nesse estágio, o trabalho de Sofonisba esbarra em mais um entrave: por conta da qualidade de suas obras, muitas delas foram confundidas com as de outros artistas homens da época, como Ticiano e El Greco (neste último caso, o quadro abaixo "A Dama de Arminho", de 1580, foi considerado de autoria do pintor greco-espanhol por um longo período).
Sofonisba voltou à Itália em 1578, casou-se duas vezes, e morreu em Palermo, aos 93 anos. Em 1623, um jovem pintor flamengo chamado Anthony Van Dyck fez uma visita à pintora, já com 90 anos. Van Dyck iniciou um esboço de retrato nesse encontro, finalizado um ano depois, Porém o que lhe chamou a atenção foi o fato de a artista ainda continuar a pintar apesar de sua vista já enfraquecida e cansada.
Em 1554, Sofonisba, então com 22 anos, muda-se para Roma. Lá conhece Michelangelo - sim, o próprio - o qual comenta e critica seu trabalho, ao mesmo tempo que pede a ela que faça o mesmo com seus esboços e desenhos.
Infelizmente era o máximo que a artista podia fazer em tempos em que mulheres não eram admitidas em estudos de nu e, portanto, jamais eram comissionadas para grandes pinturas de caráter histórico, mitológico ou religioso. Mesmo contando com o apoio do pai influente. Mesmo com um talento atestado e já reconhecido.
Assim, Sofonisba especializou-se em retratos e estudos de natureza morta, representações de cenas quotidianas. Foi obrigada a se restringir ao ambiente familiar, da ordem estrita do gênero feminino.
Por volta de 1558, Sofonisba já era uma pintora amplamente reconhecida nas cortes européias. Finalizando um retrato encomendado pelo Duque de Alba, em Milão, foi indicada ao rei de Espanha, Felipe II, encontro que significou um ponto de virada em sua carreira. Contratada como retratista oficial da família real espanhola, a pintora italiana passou 20 anos estabelecida em Madri. Além dos retratos, Sofonisba foi incumbida de dar aulas de pintura à jovem rainha Isabel de Valois (mais uma tarefa da ordem do feminino).
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| Acima, retrato de Isabel de Valois, rainha da Espanha. Abaixo, retrato de Felipe II, o rei, executado em 1573 e, até 1996, atribuído ao pintor Sanchéz Coello. |
Nesse estágio, o trabalho de Sofonisba esbarra em mais um entrave: por conta da qualidade de suas obras, muitas delas foram confundidas com as de outros artistas homens da época, como Ticiano e El Greco (neste último caso, o quadro abaixo "A Dama de Arminho", de 1580, foi considerado de autoria do pintor greco-espanhol por um longo período).
Sofonisba voltou à Itália em 1578, casou-se duas vezes, e morreu em Palermo, aos 93 anos. Em 1623, um jovem pintor flamengo chamado Anthony Van Dyck fez uma visita à pintora, já com 90 anos. Van Dyck iniciou um esboço de retrato nesse encontro, finalizado um ano depois, Porém o que lhe chamou a atenção foi o fato de a artista ainda continuar a pintar apesar de sua vista já enfraquecida e cansada.
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quinta-feira, 9 de maio de 2013
autorretrato sem rosto...
Heide Lender é a fotógrafa autorretrada acima. Escondendo o rosto de forma proposital na série "Once Upon", a artista quer dar-se a conhecer pelas referências ao seu redor, pela cenografia, pelo figurino. Tudo, menos a entrega óbvia do rosto.
Na fotografia contemporânea, o subgênero autorretrato vem testando seus limites poéticos. E o autorretrato sem rosto pode ser considerado uma tendência. Não me refiro ao termo pejorativamente. É uma forma do artista/fotógrafo exercitar outras intenções subjetivas e autorais, como o gesto e a performance, a atuação na própria obra, onde a negação do puro registro face a face representa também uma negação de uma redução criativa e, consequentemente, de possibilidades de interpretação.
Ampliar e diversificar os diálogos com o espectador, o alter-ego e, simultaneamente, o interlocutor do autorretratado, transforma-se no objetivo maior. Não se trata de uma contradição em termos, mas sim de um chamamento à reflexão estética, com o intuito de romper, no receptor da imagem, qualquer relação unívoca entre identidade e identificação. Entre o seu e o meu rosto. A tentativa de estabelecer uma identidade polimorfa, com potencial de mais significados e sentidos. Uma narrativa.
Não me conheço mais porque me olho no espelho. Vou me assombrando e me encantando com o que vejo de mim quando perambulo pelos meus sonhos, medos, memórias de afetos vividos, de lembranças tolas. Um inventário de vários rostos e formas.
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| "Autorretratos sem rostos" foi o título da oficina organizada pelo Festival Mamute no ano passado, da qual resultaram esses 5 autorretratos. |
Ampliar e diversificar os diálogos com o espectador, o alter-ego e, simultaneamente, o interlocutor do autorretratado, transforma-se no objetivo maior. Não se trata de uma contradição em termos, mas sim de um chamamento à reflexão estética, com o intuito de romper, no receptor da imagem, qualquer relação unívoca entre identidade e identificação. Entre o seu e o meu rosto. A tentativa de estabelecer uma identidade polimorfa, com potencial de mais significados e sentidos. Uma narrativa.
Não me conheço mais porque me olho no espelho. Vou me assombrando e me encantando com o que vejo de mim quando perambulo pelos meus sonhos, medos, memórias de afetos vividos, de lembranças tolas. Um inventário de vários rostos e formas.
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segunda-feira, 29 de abril de 2013
a exposição iminente...
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| Autorretratos do fotógrafo norte-americano Lee Friedlander. |
Saí do museu. Bebi 2 cervejas com um amigo. Falamos da exposição. Do que estava ao redor, não das fotos. Sensação estranha, porém nada desconfortável. Logo passamos pra outros assuntos, para simplificar a noite.
Já bem distante do museu, em casa, me olhei no espelho, lavei o rosto, e me percebi menos importante. Aquele reflexo, pelo menos. Sorri, pra ver quantas marcas ao redor dos olhos se formavam. Menos rugas no olho direito do que no esquerdo. Fiz mais caretas, massagens faciais, estiquei e soltei a pele da cara várias vezes. Difícil envelhecer, fácil exagerar. Fechei os olhos com força, abri-os de supetão. Nada de mais. Não cabe a mim me ver. Isso é função dos outros. Cabe a mim estar presente.
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