Algo que me encanta na descoberta da obra de um artista é perceber como, pela trajetória de seus próprios trabalhos, esse artista se sente mais em casa, familiarizado, com uma determinada técnica, estilo ou poética.
Hollie Chastain é uma artista plástica norte-americana que nasceu e mora em Chattanooga, Tennessee. Muito jovem, ela foi tateando por várias técnicas de ilustração e desenho para, enfim, desembocar no tipo de trabalho que a tornou reconhecida - a colagem. Como numa brincadeira de criança, uma vez que a colagem pressupõe o gosto pelos detalhes, pela busca e criação de formas gráficas, pela mistura de materiais, a obra de Chastain tem seu brilho justamente pela delicadeza infantil de seu formato. Como papéis de carta que gostávamos de colecionar.
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
domingo, 16 de dezembro de 2012
O bizarro mundo de Nino Cais...
| Escultura-cadeira-foice de Nino Cais na 30. Bienal de São Paulo (iphoto). |
| Detalhe de fotografia de registro do próprio artista com pulover amarelo (iphoto). |
| Esse trabalho é meu preferido do artista na sua sala na 30. Bienal de São Paulo - o contraste dos martelos sobre as xícaras de porcelana (iphoto). |
| Fusion cuisine, é como eu denomino esse estilo do artista em seus auto-retratos (iphoto). |
Nino Cais foi um artista que conheci na trigésima bienal de São Paulo. E na minha derradeira visita. Faltava ainda o terceiro andar para ser finalizado, e mal sabia eu quantos mundos ele me reservava. Entre eles, o mundo bizarro, mas ao mesmo tempo, doméstico, caseiro, do brasileiro Nino Cais.
A própria sala em que seus trabalhos estavam dispostos era grande o suficiente - e repleta de obras de diferentes técnicas - propositadamente para dar esse caráter de "mundo à parte", "mundo próprio", no qual os objetos de uso doméstico, como cadeiras, pás, xícaras e martelos, surgiam combinados em híbridos contraditórios. Imagens de livros de história, de revistas de moda, apareciam recortados, colados e re-significados. Havia desenhos a caneta de partes do corpo, membros. E registros fotográficos do próprio artista em metamorfoses esculturais, nas quais, sua face estava sempre encoberta.
Para você ter uma ideia melhor do que eu estou falando, espia só o tumblr dele (e, recomendo, siga-o).
http://ninocais.tumblr.com/
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domingo, 9 de dezembro de 2012
A arte não termina
| Efeito de espelhamento sobre obra de Sheila Hicks: uma cortina com fios de tear coloridos. |
| Cordas de fios de tear coloridos encobrindo relógio antigo: uma das centenas de combinações feitas pela artista Sheila Hicks e o ofício de tecer. |
| Um dos inúmeros desenhos com colagem, de Nicolás Paris: livre associação infinita. |
| Jackson Pollock a bordo, da fotógrafa e artista plástica norte-americana Ilene Segalove. |
| A arte interativa de Simone Forti. |
| Mais uma obra de Simone Forti. |
| Guarda-sóis de Alexandre da Cunha. |
Um dos comentários que mais me chamaram a atenção a respeito
dessa trigésima edição da bienal de artes de São Paulo, que se encerra hoje,
após 3 meses de exibição, no prédio da fundação de mesmo nome localizado no
parque do Ibirapuera, foi o de que tudo o que estava lá exposto poderia ser
acessado e visualizado pela internet, de que não havia nada grande, colossal,
ou diferente do que estamos acostumados a ver. Pra que sair de casa se havia
muita quantidade de obras de arte em tamanho pequeno – achei curioso a
qualificação – como fotografias, esboços, desenhos, colagens e gravuras, às
quais poderíamos ter contato através de um simples clique de mouse.
Muito curiosa essa observação. Não é o caso aqui de
desqualificá-la; trata-se de uma impressão pessoal compartilhada por uma
conhecida durante os 2 minutos que conversamos num ponto de ônibus do centro da
cidade. Porém, a minha argumentação vai num sentido muito distinto, mesmo
admitindo que, de fato, essa bienal não estava baseada na apresentação de uma
coletânea de obras monumentais isoladas, grandes instalações especialmente
feitas para o evento. O que, do meu ponto de vista, foi um diferencial
positivo.
Foi uma bienal de pesquisa, de levantamento de artistas e
obras – alguns muito conhecidos, outros, bem menos. Uma bienal que trouxe muito
de cada um, e esse muito se multiplicava não apenas em auto-referências, mas
também em referências a outras obras, outros artistas, como um caleidoscópio,
um labirinto, ou a metáfora da biblioteca de Jorge Luís Borges, na qual o
conhecimento armazenado é infinito. Um conhecimento que se transmuta e se
desdobra a cada nova combinação de eventos, de fatos e interpretações.
Estavam lá para ser vistas e experimentadas diversas concepções
do fazer artístico como ofício altamente rigoroso, que se revela pelo exercício
exaustivo do uso de inúmeras técnicas e habilidades; a idéia do esboço, do estudo
e do que resta inacabado; a obsessão de artistas por temas, por mundos, por
palavras, livros e imagens; a obsessão pelo registro, pela repetição, pela
classificação; a obsessão por organizar o mundo ao nosso redor – o micro e o
macro – e tentar tirar desse caos o máximo possível de poesia, nem que seja preciso
esgotar imagens, símbolos, conceitos – raspar da fruta até o bagaço.
Será que experimentar ao vivo uma organização rigorosa de
todo esse jorro de referências aos quais estamos submetidos em tempos online não seria
justamente a grande monumentalidade dessa bienal?
(todas as fotos são de minha autoria, apenas com parte das obras do térreo).
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