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segunda-feira, 22 de abril de 2013
viviane sassen, dentro e fora da moda...
Recentemente publicado em fevereiro, o livro "Viviane Sassen: In and Out of Fashion" faz uma compilação da carreira da fotógrafa holandesa. Viviane passou parte da adolescência na África, o que influenciou profundamente seu trabalho, não apenas por conta das cores, mas também pelos elementos esculturais e gráficos nele presentes. Some-se a isso um olhar muito subjetivo - explico melhor, muito feminino - de seus retratados. O que, na minha percepção, se reflete em composições surreais e densas, de grande intimidade, revelação e ocultamento dos corpos em foco.
Seja no mundo da moda, no qual a fotógrafa se firmou como uma das mais requisitadas, seja em seu mundo de interesse particular, meramente artístico, a obra de Sassen desvela uma perspectiva contemporânea altamente refinada, estudada em cada detalhe, sem distinção de apuro visual e poética para editoriais e campanhas publicitárias de trabalhos seus executados fora desse universo. Dentro ou fora da moda, a obra de Viviane Sassen é única, indistinta e autoral.
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sábado, 13 de abril de 2013
sete dias no mundo da arte...
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| A historiadora da arte e socióloga canadense Sarah Thornton e seu livro "Sete Dias no Mundo da Arte". |
Por que o mercado de arte
sofreu um aquecimento sem igual na última década e meia? Por que obras de arte,
sobretudo as contemporâneas, atingem cifras milionárias em leilões? Qual o
papel da crítica, dos curadores e museus, dos prêmios, das feiras e bienais, da
relação entre galeristas (ou marchands) e artistas? De uma outra
perspectiva, por que o mundo da arte tem se tornado tão popular, acessível na
mídia, também por meio de uma programação cada vez mais variada e extensa de
exibições nas grandes cidades, num número crescente de galerias, artistas e
publicações a respeito?
Analogamente a seus primeiros livros, sobre cultura da noite - raves, boates e nightclubs - e cultura de rua, Thornton, como uma observadora ativa, participa, durante alguns dias, de sete etapas fundamentais da cadeia produtiva do mundo da arte contemporânea. A visita, junto com dois marchands e curadores da Califórnia, ao atelier do escultor japonês Takashi Murakami, para conferir a produção de uma escultura monumental de cinco metros, chamada "Oval Buddha", a ser exibida numa retrospectiva do artista no Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles; um leilão de arte da Christie's de Nova York; a participação na principal feira de arte contemporânea do mundo, na Basiléia, na Suíça, a Art Basel; a passagem pela prestigiosa escola de artes norte-americana, o California Institute of the Arts; o acompanhamento da entrega do cobiçado prêmio Turner na Tate Gallery de Londres; a produção da Artforum, a mais importante publicação de textos críticos do mundo da arte; e, por fim, juntou-se aos experimentos estéticos e às vanguardas contemporâneas apresentadas na Bienal de Veneza, um dos cenários de respiro e renovação das poéticas artísticas.
Por meio de entrevistas e depoimentos de atores-chave no mercado e mundo da arte, assim como de sua própria observação crítica, Thornton elaborou uma crônica irônica e inteligente sobre a complexa dinâmica desse sistema. Um sistema que, se por uma lado, atrai a cobiça de especuladores, colecionadores, galeristas e instituições culturais, também chama de forma crescente a atenção do público em geral. Afinal, estamos mais educados e informados; estamos lendo menos e vendo mais (youtube, internet, revistas de moda, de design, e afins); e a arte é uma espécie de idioma universal, como a música, abrangente em sua fala e, mais ainda, permissiva em suas influências.
Depois que a separação entre arte erudita e popular desfez-se e que o papel do curador e do galerista, mais do que o do crítico, tomaram uma preponderância fundamental na inserção e valorização da obra de um artista contemporâneo no mercado, a visão "senso comum" do mundo da arte acirrou sua conotação de embuste, de artificialidade, de truque, egos e, como propósito final, o fazer dinheiro. Thornton não fecha os olhos para isso. Muito pelo contrário. Sua grande contribuição, no entanto, diz respeito mais a um mundo que funciona segundo regras muito peculiares e próprias - algumas delas totalmente afinadas às do capitalismo moderno -, mas que têm em sua raiz a criação artística, de ideias e formas, em torno da qual há camadas de pessoas excêntricas, cultas, outras anacrônicas, e outras ainda deslumbradas e superficiais, todas eles - artistas, curadores, galeristas, críticos, colecionadores, jornalistas, leiloeiros, designers, produtores - compondo um mundo complexo e, sem dúvida alguma, fascinante.
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segunda-feira, 18 de março de 2013
as cidades invisíveis...
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| fotos de Kouichi Aokigi |
"Se meu livro As cidades
invisíveis continua sendo para mim aquele em que penso haver dito mais
coisas, será talvez porque tenha conseguido concentrar em um único símbolo
todas as minhas reflexões, experiências e conjeturas", Italo Calvino, a
respeito de sua obra, "As cidades invisíveis", escrito em 1972.
Walter
Benjamin escreveu que a melhor maneira de se conhecer uma cidade é perder-se
nela. Flanar. Walter Benjamin era barroco, gostava do tempo estendido, não só
mero cronos. Por isso também era afeito a andar por aí sem rumo, sem mapa,
conhecendo a topografia de uma cidade pelo contato direto, pelo estranhamento,
pelo erro.
Italo
Calvino, em seu "As cidades invisíveis", foi por um caminho distinto,
até oposto, de certa forma. Foi conciso, preciso, fazendo do personagem
histórico, Marco Polo, o viajante veneziano, sua Sherazade a contar para o
imperador Kublai Khan as maravilhas das cidades que formavam seu imenso
império, as quais, porém, ele não podia conhecer pessoalmente por conta de seus
encargos de chefe supremo. Cego das belezas contidas em seus domínios, era por
meio dos olhos de Marco Polo que Khan tinha acesso imaginário aos cantos e
encantos de 55 cidades pelas quais o estrangeiro, seu diplomata, teria passado
e conhecido. Todas eram referidas por nomes de mulheres: Cecília, Leônia,
Pentesileia - e cada uma delas agrupadas em sub-títulos: as cidades e as
trocas, as cidades e o céu, as cidades e os mortos, as cidades delgadas, as
cidades e as memórias.
Quando
penso numa cidade que não conheço, e ouço o relatos de alguém a respeito, faço
logo essa associação com a obra de Calvino. Como se um espaço que não existisse
fosse sendo ocupado por uma geografia específica, uma arquitetura, prédios,
casas, ruas. Como jogar tinta sobre um "ser invisível". Ele deixa de
passar despercebido e adquire formas, graças à intervenção de algum action
painter imaginário. No caso das cidades nunca visitadas por Kublai Khan, as
formas se configuram por meio das palavras, dos relatos de Marco Polo.
Metáforas, referências, analogias, associações são maneiras múltiplas de dar a
conhecer essas cidades a quem nunca poderá flanar por elas. Mas que, por outro
lado, as conhecerá de maneira única, mágica, pela invenção do olhar daquele que
a viu e a experimentou subjetivamente. É um olhar único e múltiplo, ao mesmo tempo. Cada cidade como representação de um universo inteiro.
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walter benjamin
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