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sexta-feira, 17 de maio de 2013
nas horas vagas...
Safwat Saleem é designer gráfico, filmmaker, artista e o diretor criativo da Arizona State University. Multi-disciplinar. E sem divisão de tempo entre trabalho e horas vagas. O laser dele é arte também. Com a diferença de ser uma arte completamente despretensiosa, no sentido da simplicidade dos recursos usados, do humor envolvido, da sátira, assim como do não-comprometimento com um padrão específico a ser atingido em termos de mercado, conceito, reconhecimento.
São gravuras de ilustrações que representam relações complicadas entre dois ou mais objetos. Eles dialogam entre si, sempre com um tom de ironia e sarcasmo. As gravuras são simples, com blocagens delicadas de cores, e um traço refinado e limpo. E, acima de tudo, de um humor esperto.
Um pouco de nonchalance, como bem define a língua francesa, não faz mal a ninguém. Um estado relaxado sem ansiedade nem entusiasmo; uma ausência casual de preocupação ou pretensão. Espero que se divirtam com os "quadrinhos" de Saleem, e aproveitem a sexta-feira, o dia de Vênus...
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sábado, 8 de dezembro de 2012
Sobre o Instagram
Vivemos já há algum tempo a febre do aplicativo Instagram
(creio que não preciso explicar aqui do que se trata; a grande maioria das
pessoas com quem convivo ou participam diretamente dessa rede social móvel ou
já ouviram falar dela).
Nos últimos anos as artes visuais têm adentrado fortemente o
mundo da tecnologia. A utilização de novas técnicas de captação e manipulação
de sons e imagens, de novas plataformas de visualização e percepção, abrem
novos caminhos pra criação artística. Mas não necessariamente excluem formas
pretéritas, tradicionais, nem tampouco significam um empobrecimento das formas
artísticas. A fotografia não morreu por conta da passagem do analógico para o
digital. E tampouco o Instagram pode ser pensado como uma forma de vulgarização
da arte fotográfica. Trata-se de mais uma rede social bem-sucedida em nos
seduzir, nos viciar em brincarmos de ser fotógrafos, artistas. Como um diário
pessoal, acrescentamos cada passo dado em nosso dia-a-dia – a comida que comemos;
os pés descalços na areia; os gatos e cães de estimação; o vários skylines e sóis se pondo; as nuvens; um
elemento decorativo antigo num portão enferrujado; uma arte de rua; um
auto-retrato refletido no espelho do banheiro.
Sim, vivemos num mudo cada vez mais auto-referente, onde o
narcisismo e o egocentrismo grassam à velocidade da luz. O mais complicado, na
minha opinião, é essa intensidade e aceleração, porque de auto-referência e
obsessão a história da arte está repleta. O que pode cruzar a fronteira e
indicar um excesso de banalização é a perda de parâmetros, dada a avalanche de
informações repetidas e mesmices. Mas arte é isso aí também: engodo, artifício,
joio misturado com trigo, falsos brilhantes e anões de jardim.
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